terça-feira, 19 de julho de 2011

Inexplicável


O amor é uma experiência indefinida;
Não se sabe como começa,
Não se sabe como termina.

Leva-nos a agir
Sem razão, loucamente;
Mas o amor é a razão
De agir tão imprudente.

05 de julho de 2006.

sábado, 11 de junho de 2011

Revelações


Está evidente.
Confissões são desnecessárias.
Estampado na cara,
Por dentro da alma.
Tanta imprudência
Por pouca consideração;
E o pior,
Tudo sei, será em vão.

Desapontamento meu,
Pra você.
Não quero aquela decadência
Reviver.

Estou quase o extorquindo.
Sou digna disso?
Não, inválida me sinto.
Inescrupulosa até.
E peço clemência
Por fazê-lo padecer.

Não me maltrate a vida,
Não me maltrate a morte;
Apenas finde com tudo de vez.
07 de junho de 2011.

Bi-partida

Sempre me vi enlaçada,
Não me recordo de ser outra.
Agora confinada,
A loucura torne-se pública.

Estou dividida,
Sim, totalmente estranha.
Sensação proibida,
Derrota em forma de ânsia.

Estava tudo tão correto,
Encaminhando para o final feliz;
Por que isso, de repente?
Anuncio que jamais quis.

Simultaneamente,
Alinhada para dois mares;
Deslealdade a própria vida,
A quem limito meus deveres.

Meus impulsos contidos,
Por um.
Minha ambição implacável,
Apresenta-se em segundo,
Em segredo.

Desejo meu eu de volta,
Mas posso estar equivocada;
A inocência não retorna
Após o conhecimento de tantas mágoas. 


07 de junho de 2011.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu

Eu não tenho conserto.
Eu não sou flor,
Eu não sou espinho.
Eu sou o meu caminho.
Eu me faço mal;
Eu sou anormal.

Eu sei o que me arde;
Eu sou um tanto covarde.
Eu sou inquieta,
Mas não sei o que me eleva.

Se meu sangue é vermelho,
Se é azul, amarelo, tanto faz.
Quanto mais olharem para minhas roupas
Eu me modifico mais.

Eu sou tesoura, eu sou papel;
Eu sou o inferno, eu sou o céu.
Eu sou meu carma, sou sensata.
Não sei explicar o que se indaga;
Eu não sou ingrata.

Eu não estou no altar com todos os santos;
Eu vim do povo, de um sopro de Deus.
Eu quero espalhar meu canto,
Pra me lançar nos pensamentos seus.

Eu tenho pressa, mas estou exausta;
Eu custo a saber a hora exata.
Eu posso demorar,eu posso anteceder:
Eu nunca vou saber quando agir.

Pra que pedir perdão a mim?
Eu não vou me perdoar.
Minha relação comigo está quase por um fio,
Mas ainda sei como me amar.

Eu me maltrato, mas não mato
Esse meu outro lado.
Eu sou o eu de mim,
Eu sou duas, mil, em uma;
Eu sou macia e sou dura.
Eu sou minha defesa,
Mas não sou o retrato de mim mesma.
Eu não vou optar por só uma delas;

Eu, ela outra, aquela.
Outra, aquela, ela, eu.
Nós.
Eu sou do amor,
Mas o amor não é meu.

30 de agosto de 2005.














Observador


Um retalho sobrou no vácuo do coração.
Um remendo se faz para sobreviver.
Sente-se a fisgada no peito, que aperta
Se desperta um flash dolorido da lembrança.
Observo, sem licença, até onde é seu limite.
Veja o amor posto em uma guilhotina
Por um rosto familiar da pessoa atingida.
Os cílios molhados, inundados de tortura.
Agora, as sobras estão sendo queimadas
E se resultam em mais um enterro de amor.

20 de junho de 2006.

Aos Papéis


Eu confidencio aos papéis
Coisas que estão em minha mente.
Despejo tudo o que estiver incomodando
O meu presente.
No timbre de minha voz
Há uma ponta de insegurança,
Mas o escuro não me amedronta;
Acho que não sou mais criança.

06 de julho de 2005.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Desatinos


Sua boca era quente.
Será que esfriou?
Senti o amor brotar da pele;
Não senti vergonha, me senti ousada.
Um beijo minucioso;
Beijo lento e violento.
Tudo foi novidade.
Hoje, um bem cruel assumido.
A vida é um livro;
Você é meu cúmplice.
Te registro.
Me dilacera.
Meus dedos procuram algo;
Você me ofende sem falar.
A morte é a fronteira da vida;
Eu quero ultrapassá-la.

Meu corpo estremecia você.
Você me alimentava.
Estou de jejum.
A tontura é pela perda,
Não mais pela falta de fôlego.
Eu cometia pecados?
Eu atendia seus apelos.
Quero aprender o seu idioma.
Por que é tudo desigual?
Seu queixo, seus cabelos;
Minhas pernas, meus joelhos,
Nossos pés.
Você deslizou pela minha rua;
Eu explorei seus horizontes.
Flutuamos na mesma atmosfera.
Me sinto antiga, patética;
Ridícula, minha vocação.
Governa meu país
Que eu compro suas dívidas.

Sou personagem minha;
Isso já não cabe em mim.
Em toda medicina não há cura.
Minha arte é um ofício óbvio.
Meu caderno é dicionário
Onde se decifram meus enigmas.
O teto está desabando;
Você é quem tira meu sono.
Não sou sábio;
Ainda não sou poeta;
Sou adolescente.
Quem irá me querer,
Namorar alguém incomum?
Você é urgente,
Eu sou emergência.
Amor nossa sintonia.

 18 de agosto de 2005.