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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu

Eu não tenho conserto.
Eu não sou flor,
Eu não sou espinho.
Eu sou o meu caminho.
Eu me faço mal;
Eu sou anormal.

Eu sei o que me arde;
Eu sou um tanto covarde.
Eu sou inquieta,
Mas não sei o que me eleva.

Se meu sangue é vermelho,
Se é azul, amarelo, tanto faz.
Quanto mais olharem para minhas roupas
Eu me modifico mais.

Eu sou tesoura, eu sou papel;
Eu sou o inferno, eu sou o céu.
Eu sou meu carma, sou sensata.
Não sei explicar o que se indaga;
Eu não sou ingrata.

Eu não estou no altar com todos os santos;
Eu vim do povo, de um sopro de Deus.
Eu quero espalhar meu canto,
Pra me lançar nos pensamentos seus.

Eu tenho pressa, mas estou exausta;
Eu custo a saber a hora exata.
Eu posso demorar,eu posso anteceder:
Eu nunca vou saber quando agir.

Pra que pedir perdão a mim?
Eu não vou me perdoar.
Minha relação comigo está quase por um fio,
Mas ainda sei como me amar.

Eu me maltrato, mas não mato
Esse meu outro lado.
Eu sou o eu de mim,
Eu sou duas, mil, em uma;
Eu sou macia e sou dura.
Eu sou minha defesa,
Mas não sou o retrato de mim mesma.
Eu não vou optar por só uma delas;

Eu, ela outra, aquela.
Outra, aquela, ela, eu.
Nós.
Eu sou do amor,
Mas o amor não é meu.

30 de agosto de 2005.














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