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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Desatinos


Sua boca era quente.
Será que esfriou?
Senti o amor brotar da pele;
Não senti vergonha, me senti ousada.
Um beijo minucioso;
Beijo lento e violento.
Tudo foi novidade.
Hoje, um bem cruel assumido.
A vida é um livro;
Você é meu cúmplice.
Te registro.
Me dilacera.
Meus dedos procuram algo;
Você me ofende sem falar.
A morte é a fronteira da vida;
Eu quero ultrapassá-la.

Meu corpo estremecia você.
Você me alimentava.
Estou de jejum.
A tontura é pela perda,
Não mais pela falta de fôlego.
Eu cometia pecados?
Eu atendia seus apelos.
Quero aprender o seu idioma.
Por que é tudo desigual?
Seu queixo, seus cabelos;
Minhas pernas, meus joelhos,
Nossos pés.
Você deslizou pela minha rua;
Eu explorei seus horizontes.
Flutuamos na mesma atmosfera.
Me sinto antiga, patética;
Ridícula, minha vocação.
Governa meu país
Que eu compro suas dívidas.

Sou personagem minha;
Isso já não cabe em mim.
Em toda medicina não há cura.
Minha arte é um ofício óbvio.
Meu caderno é dicionário
Onde se decifram meus enigmas.
O teto está desabando;
Você é quem tira meu sono.
Não sou sábio;
Ainda não sou poeta;
Sou adolescente.
Quem irá me querer,
Namorar alguém incomum?
Você é urgente,
Eu sou emergência.
Amor nossa sintonia.

 18 de agosto de 2005.

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