segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu

Eu não tenho conserto.
Eu não sou flor,
Eu não sou espinho.
Eu sou o meu caminho.
Eu me faço mal;
Eu sou anormal.

Eu sei o que me arde;
Eu sou um tanto covarde.
Eu sou inquieta,
Mas não sei o que me eleva.

Se meu sangue é vermelho,
Se é azul, amarelo, tanto faz.
Quanto mais olharem para minhas roupas
Eu me modifico mais.

Eu sou tesoura, eu sou papel;
Eu sou o inferno, eu sou o céu.
Eu sou meu carma, sou sensata.
Não sei explicar o que se indaga;
Eu não sou ingrata.

Eu não estou no altar com todos os santos;
Eu vim do povo, de um sopro de Deus.
Eu quero espalhar meu canto,
Pra me lançar nos pensamentos seus.

Eu tenho pressa, mas estou exausta;
Eu custo a saber a hora exata.
Eu posso demorar,eu posso anteceder:
Eu nunca vou saber quando agir.

Pra que pedir perdão a mim?
Eu não vou me perdoar.
Minha relação comigo está quase por um fio,
Mas ainda sei como me amar.

Eu me maltrato, mas não mato
Esse meu outro lado.
Eu sou o eu de mim,
Eu sou duas, mil, em uma;
Eu sou macia e sou dura.
Eu sou minha defesa,
Mas não sou o retrato de mim mesma.
Eu não vou optar por só uma delas;

Eu, ela outra, aquela.
Outra, aquela, ela, eu.
Nós.
Eu sou do amor,
Mas o amor não é meu.

30 de agosto de 2005.














Observador


Um retalho sobrou no vácuo do coração.
Um remendo se faz para sobreviver.
Sente-se a fisgada no peito, que aperta
Se desperta um flash dolorido da lembrança.
Observo, sem licença, até onde é seu limite.
Veja o amor posto em uma guilhotina
Por um rosto familiar da pessoa atingida.
Os cílios molhados, inundados de tortura.
Agora, as sobras estão sendo queimadas
E se resultam em mais um enterro de amor.

20 de junho de 2006.

Aos Papéis


Eu confidencio aos papéis
Coisas que estão em minha mente.
Despejo tudo o que estiver incomodando
O meu presente.
No timbre de minha voz
Há uma ponta de insegurança,
Mas o escuro não me amedronta;
Acho que não sou mais criança.

06 de julho de 2005.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Desatinos


Sua boca era quente.
Será que esfriou?
Senti o amor brotar da pele;
Não senti vergonha, me senti ousada.
Um beijo minucioso;
Beijo lento e violento.
Tudo foi novidade.
Hoje, um bem cruel assumido.
A vida é um livro;
Você é meu cúmplice.
Te registro.
Me dilacera.
Meus dedos procuram algo;
Você me ofende sem falar.
A morte é a fronteira da vida;
Eu quero ultrapassá-la.

Meu corpo estremecia você.
Você me alimentava.
Estou de jejum.
A tontura é pela perda,
Não mais pela falta de fôlego.
Eu cometia pecados?
Eu atendia seus apelos.
Quero aprender o seu idioma.
Por que é tudo desigual?
Seu queixo, seus cabelos;
Minhas pernas, meus joelhos,
Nossos pés.
Você deslizou pela minha rua;
Eu explorei seus horizontes.
Flutuamos na mesma atmosfera.
Me sinto antiga, patética;
Ridícula, minha vocação.
Governa meu país
Que eu compro suas dívidas.

Sou personagem minha;
Isso já não cabe em mim.
Em toda medicina não há cura.
Minha arte é um ofício óbvio.
Meu caderno é dicionário
Onde se decifram meus enigmas.
O teto está desabando;
Você é quem tira meu sono.
Não sou sábio;
Ainda não sou poeta;
Sou adolescente.
Quem irá me querer,
Namorar alguém incomum?
Você é urgente,
Eu sou emergência.
Amor nossa sintonia.

 18 de agosto de 2005.

Exagerada




Exagerada, palavra que me define,
Sem mesmo dizer nada.
A meu respeito, nada declara.
Ser calada, disfarçada
Por não ter minha própria alegria rara.
E não ser livre em liberdade.
Porque quando choro
Minha dor não se alivia;
Ela se esconde por dentro,
Onde não se pode ver.
E é melhor assim,
Que não se confirme o que não suportarei.
Prefiro sonhar a sofrer mais,
Mas sofro de todo modo.
E exagerada serei enquanto ainda houver vida;
Mas o que seria ela (vida)
Se eu não soubesse amar?


Sei que ainda sou uma menina
No fundo, querendo dar uma de esperta.
Eu sou uma garota má,
Porque quando algo não tem desculpa
Choro, fugindo, e toda a culpa que tenho
Só eu vou saber,
Pois se me machucam, eu tenho raiva.
Eu sou completamente exagerada
E sei que não estou errada.
Não acredito em paixão,
Pois ainda vou crescer.
E quanto a isso,
Vou descobrir o que há;
Se existe um amor ou não.
Exagero porque quero!


15  de fevereiro de 2005.

Encantos



Encantos encantado,
Doce ser que me fascina.
Anjo iluminado;
Obra de arte divina.

És presente inocente;
És querida, minha vida!

Criatura pura,
Luz que me conduz.
Precioso sorriso;
Presença que preciso.

Sonho que sonhei,
Mas até do que imaginei.
És amor, és alegria;
És paz, Tu és Letícia.

 14 de abril de 2004.

Herança em Vida



Tudo é tão nítido
E ao mesmo tempo opaco;
Nada do que se vive é apagado.
Sofro decepções, sem alterações.
Por pensar no amanhã demais
Acabo deixando o hoje pra trás.

Estou alerta sobre o mundo,
Se eu cometer algum descuido
Não vou poder nem reclamar;
Já me cansaram de avisar.
Me ralei em tantas pedras;
Eu vi o negro das trevas.
Eu não quero te assustar,
Só quero que você me entenda.

Me defendo como posso;
Não há mistérios a desvendar.
A vida passa rápido
E eu tenho pouco tempo para atravessar.
Vou batalhar por amor;
Vou virar anjo bom.
Vou doar somente o bem
E os traidores terão o que merecem.
Se aquele rapaz vier
É porque o fim está por vir.
Vai acabar as lamentações,
Sequer vou lembrar as aflições.
A vida voltará a ser mansa,
Juntaremos as alianças.
No calendário vou marcar
Essa linda data.

Meu coração irá casar,
No seu, ele irá grudar.
Não será um casamento;
Será um enlace de sentimento.
Ele trará um violão
E, juntos, vamos cantar a canção:

Se a vida é boa,
Não a perca a toa;
Acertes seus caminhos,
Passe isto aos seus filhos.


 26 de agosto de 2005.